RUAS DA HISTÓRIA DE NATAL
Abriga o museu Café Filho, a sede do IPHAN (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o IHGRN (Instituto Histórico e
Geográfico do Rio Grande do Norte), a Assembléia Legislativa e o Palácio
Potengi da Cultura
Considerada a rua mais antiga de Natal a manter seu topônimo
originário, este logradouro atualmente restringe-se a esquina da Ulisses Caldas
e a Praça Padre João Maria, com antigas residências, apenas de um lado da rua.
Segundo Cascudo (2002, p. 18):
Em princípios de 1808 já existe esse nome. Era pouco habitada
até os primeiros lustros do século XIX. Ainda em 1834 havia um matagal espesso
num dos lados. [...] A construção da Praça Sete de Setembro, em 1914,
desfigurou-a para sempre, derribando uma metade da rua. O parque do Palácio
demoliu outro trecho. Hoje a Rua da Conceição possui apenas uma fila de
edifícios, e está reduzida a um pequenino número, contados da esquina do
Palácio do Governo até a Praça João Maria, antiga Praça da Alegria.
É a Rua da Conceição um lugar de memória, que apesar das
modificações no seu traçado, ainda guarda vestígio de uma época em que, com a
atual Rua de Santo Antônio, era o caminho do Rio de Beber Água.
ANTIGO CAMINHO DO RIO DE BEBER ÁGUA (ATUAL RUA SANTO ANTÔNIO)
Primitivo caminho do Rio de Beber Água, segundo Cascudo
(1990), neste rio, beberam as bocas do Brasil Colonial: índios, portugueses,
franceses e holandeses, pisaram o antigo chão desta rua. A Rua Santo Antônio é
um dos logradouros mais antigos de Natal, como informa Medeiros Filho (1991, p.
70):
Até o ano de 1700, parece ter havido apenas duas ruas em
Natal; a primeira corresponde à que fica defronte à Matriz, na atual Praça
André de Albuquerque; a segunda o caminho do rio de beber água, às atuais ruas
Santo Antônio e da Conceição. [...] O Rio de Beber Água, Rio da Cruz ou do
Baldo provinha da atual Lagoa de Manuel Felipe, no bairro de Tirol. Em 1677, o
sesmeiro Pedro da Costa Faleiro referia-se ao “benefício que faz na fonte, para
que não falte água no verão”, certamente o baldo por ele construído no Rio de
Beber Água
Caminho de história, encontramos na rua Santo Antônio a
Igreja do Galo, o antigo passo episcopal e o museu de artes sacras. Lugares de
memória, “documentos vivos” de passado da cidade, de Câmara Cascudo.
BECO DA LAMA
Ponto de encontro de artistas, intelectuais e boêmios. Entre
os diversos eventos realizados no Beco da Lama destacam-se o Festival
Gastronômico: Pratos do Mundo; e o Festival de Música do Beco da Lama.
Local de memória, este logradouro desde sua origem caracterizou-se
por ser lugar de alegria e das artes, antes foi denominado de Beco Novo como
informa a pesquisadora Nesi (2002, p. 46):
O Beco Novo era um animado e movimentado logradouro público
de Natal. Em 1841, o primeiro teatro da cidade foi destruído por um incêndio.
Tratava-se de um barracão de palha situado na atual Gonçalves Ledo. Como a
Sociedade do Teatro Natalense, proprietária do barracão, não dispunha dos
recursos necessários à sua recuperação, os grupos amadores de então passaram a
representar em teatrinhos improvisados, instalados em algumas ruas de Natal. No
Beco Novo eram freqüentes aquelas representações.
A cidade dona do título de “noiva do sol”, conhecida por suas
praias e dunas, pulsa vida no Beco da Lama, lugar ideal para quem procura entender
a alma do natalense.
RUA CHILE
A atual Rua Chile, antiga Rua do Comércio, foi a primeira
paralela ao rio, na Ribeira, onde havia armazéns para produtos exportados pela
província, tais como açúcar, algodão, tatajuba e peixe seco. A partir de 1850
começou a ter prédios de pedra e cal. Jeanne Nesi (2002, p.92), em Caminhos de
Natal, informa: trata-se de um dos primeiros logradouros públicos daquele
bairro. Existe registro de concessão de terras naquele local, pelo Senado da
Câmara do Natal, desde 1731
Uma das ruas mais importantes da história de Natal, intensa
atividades econômica, no passado Rua da Alfândega, a atual Rua Chile era onde
os principais comerciantes da província faziam os negócios de importação e
exportação de mercadorias em seus armazéns, instalados próximo ao porto
(MONTEIRO, 2000).
A Rua Chile, guarda a memória de um tempo em que além de
centro econômico, era centro do poder político da capital potiguar. O
historiador Luís da Câmara Cascudo (1999), conta que em 1870, o presidente da
República Pedro de Barros Cavalcante de Albuquerque, transferiu a sede de
administração provincial para o sobrado localizado neste logradouro. Hoje na
antiga sede do governo funciona o Museu de Arte Popular da Fundação José
Augusto.
A Rua Chile ao longo de sua história, também foi palco de
eventos culturais. Em abril de 1898, o jornal A República noticia a exibição de
uma sessão do cinematógrafo do Senhor Nicolau Parente, numa sala de espetáculos
dessa rua. Câmara Cascudo (1999) diz que os armazéns da Rua do Comércio (Rua
Chile), eram promovidos a cada de espetáculos pela amplitude das áreas internas
de acomodações.
Confirmando sua vocação comercial e cultural, a Rua Chile é o
endereço, de várias empresas do ramo pesqueiro e de locais de cultura, como,
por exemplo, a casa da Ribeira. Lugar de diversos acontecimentos
artístico-culturais, destacando-se o “Encontro Nacional de Escritores”, evento
promovido pela prefeitura que tem trazido à cidade de Câmara Cascudo, expoentes
da escrita brasileira.
Aqui, também, nasceu Pedro Velho, na casa n° 178, organizador
do Partido Republicano, ex-governador e chefe político da oligarquia Maranhão
Por fim, como afirmou a pesquisadora Jeanne Fonseca Leite
Nesi (2002, p.97): A Rua Chile, que já foi a mais povoada e importante da cidade,
ainda guarda na sua paisagem urbana, belos exemplares da arquitetura do
passado.
Desde 1984, com a criação da Zona de Preservação Histórica a
Rua Chile sofreu uma série de intervenções objetivando a preservação deste
lugar de memória. Em 1994 foram realizadas intervenções nas fachadas da Rua
Chile e no pavimento. Atualmente, segundo o Plano Diretor - 2007, a Rua Chile
está inserida na Zona Especial de Interesse Histórico.
RUA FREI MIGUELINHO
Localizada no bairro da Ribeira, segundo a pesquisadora Jeanne
Nesi (2002) a Rua Frei Miguelinho, é um dos mais antigos logradouros da parte
baixa da cidade, outrora conhecida como ‘Caminho da Fortaleza’. Existem
documentos do Senado da Câmara de Natal, datados de 1744, confirmando que o
caminho que vai para a Fortaleza dos Reis Magos desde aquela época já era
habitado.
O historiador câmara Cascudo (1999), em sua magnífica
“História da Cidade do Natal”, relata que a Rua Frei Miguelinho foi também Rua
13 de Maio, recebendo a atual denominação porque o sítio dos pais do herói
compreenda o lado direito da rua.
Frei Miguelinho, participou do movimento de 1817, conforme
Trindade (2007) tratava-se de uma insurreição social iniciada em Pernambuco que
rapidamente se espalhou por todo o Nordeste, inaugurando um ciclo revolucionário
na região. Miguel Joaquim de Almeida Castro, frei Miguelinho era um homem de
energia imperturbável, sereno e forte, conforme Câmara Cascudo apud Mariz e
Suassuna, 2002.
Quanto à provável localização da antiga residência dos pais
de Frei Miguelinho o pesquisador Olavo de Medeiros Filho (apud NESI, 2002)
encontrou no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte relato do
Sr. Antiocro Aprígio de Miranda, a época 1862, tesoureiro do Correio Geral de
Natal, o relato diz: ‘... adiante para nascente do quartel de segurança hoje,
ficava a antiga casa de construção forte, altura regular, bom tamanho que havia
pertencido a Manuel Pinto de Castro, pai de Frei Miguelinho’.
As diversas transformações ocorridas ao logo do tempo,
inclusive com a abertura de vias como a Esplanada Silva Jardim, fizeram
desaparecer a antiga residência da família de Frei Miguelinho. Hoje na esquina
da rua Frei Miguelinho com a Esplanada Silva Jardim, onde existia o Quartel do
Batalhão de Segurança (atual sede do Sindicato dos estivadores) encontra-se uma
placa em homenagem ao filho mais ilustre nascido naquele local.
Uma rua guardiã da memória da Cidade do Natal, não apenas
porque em seu chão brincou o menino que, quando adulto “formado” no Seminário
de Olinda, transformou-se no revolucionário defensor da república e da abolição
da escravatura. Mas guardiã porque nas intervenções sofridas registra a
modernização da cidade.
Existia na Rua Frei Miguelinho uma feira muito concorrida.
Lair Tinôco (1992, p. 51), em suas memórias, lembra que:
“Havia uma feirinha mais para o fim da Rua Frei Miguelinho
chamada a feira da Tabujeira. Tinha este nome porque existia uma grande
tatajuba, a sombra da qual, sentavam-se os vendedores, homens e mulheres que
procuravam aquele local com o fim de venderem suas mercadorias; [...] era assim
uma espécie de feirinha de emergência, por sinal bem concorrida”.
A Rua Frei Miguelinho, foi oficializada através da resolução
da Intendência Municipal de 11 de junho de 1906. Esta rua está inserida na Zona
Especial de Interesse Histórico.
RUA DR. BARATA
A Rua Dr. Barata guarda muito da história da Ribeira. Uma rua
que ao longo do desenvolvimento urbano de Natal, se destacou por sua vocação
comercial. Nas primeiras décadas do século XIX, o comércio consolidou-se na
Ribeira, concentrando-se principalmente na atual Rua Dr. Barata, justificando
assim o seu primitivo topônimo: Rua das lojas (NESI, 2002, p.98).
Este logradouro também foi denominado de Rua Correia Teles e
Rua Visconde do Uruguai. A denominação atual, rua Dr. Barata surgiu através de
resolução da Intendência Municipal de Natal, datada de 24 de setembro de 1900
A Ribeira era um lugar de comércio e residências. Muitas
gerações nasceram e cresceram, assistindo a terra de canguleiros vencer o alagadiço
e transformou-se em centro econômico e político. A Cidade baixa era o “point”
de Natal de início do século XX.
Em suas memórias, Lair Tinôco (1992, p.47) refere-se à Rua
Dr. Barata como:
A rua chic da cidade, isto no que diz respeito aos seus estabelecimentos
salientavam-se “A Formosa Síria”, “Armazém Potiguar”, “Casa Lux”, além de
outros tantos estabelecimentos... Para ir a Rua Dr. Barata, mesmo residindo na
Ribeira, era de bom tom usar chapéu e luvas. Nas tardes de sábado o comércio
abria e então na Rua Dr. Barata era um verdadeiro desfile de elegância.
A Rua Dr. Barata, como toda a Natal, durante a Segunda Guerra
Mundial, vivenciou grande movimentação. Uma Rua testemunha da história
assistiu, nascer e desaparecer vários estabelecimentos, lugares de encontro da
elite política e econômica da cidade.
Inserida na Zona Especial de Interesse Histórico, a Rua Dr.
Barata é um “lugar de memória”.
AVENIDA TAVARES DE LYRA
Uma das principais avenidas do bairro da Ribeira, a Avenida
Tavares de Lyra, foi uma homenagem àquele que governou o Rio Grande do Norte de
1904 a 1906, historiador com várias pesquisas sobre a “Terra Potiguar”,
político de destaque no cenário nacional, o governador Tavares de Lyra foi
ministro da justiça no governo de Afonso Pena.
O topônimo deste logradouro foi oficializado em 1914, através
de decreto assinado pelo governador Alberto Maranhão, para comemorar a abertura
da avenida, também foi colocado um obelisco que ainda se encontra lá
“testemunhando” as transformações ocorridas na Avenida Tavares de Lyra.
A pesquisadora Jeanne Nesi (2002, p.118) em Caminhos de Natal
informa as intervenções ocorridas nesta avenida:
O quarteirão que separa a Avenida Tavares de Lira da travessa
Venezuela foi reduzido à metade, sendo cortado no sentido diagonal, visando à
abertura da avenida. Nas proximidades do atual Cais Tavares de Lira existia
outro quarteirão, que foi suprimido para facilitar a ligação daquele logradouro
público com o rio Potengi. O quarteirão que obstruía a Tavares de Lira
ligava-se à Rua Chile, em ambos os lados. À sua frente existia um largo,
denominado praça da República.
A Avenida do Cais, porto seguro de quem parte ou chega a
Natal, era também lugar de passeio das moças natalenses. Segundo Lair Tinôco
(1992), os calçados da Tavares de Lira transformavam-se em passarelas, lugar de
passeio de moças da Ribeira e até da Cidade Alta. Podemos deduzir desta
informação, que a moda feminina de Natal passava na Avenida Tavares de Lyra.
A Avenida Tavares de Lyra, por sua condição de Avenida do
Cais, era o portal de entrada daqueles que chegavam à cidade pelo Rio Potengi.
Esta característica fez desta avenida um dos lugares mais movimentados da velha
Ribeira. Foi, inclusive, local de realização dos primeiros carnavais de rua.
A concentração do corso na Avenida Tavares de Lyra,
consolidou o carnaval na Ribeira. Ali eram travadas as famosas batalhas de
confete, que animavam os festejos momescos e coloriam todo o logradouro (NESI,
2002, p.119).
A Avenida, antigamente, foi local de ebulição cultural, local
onde a elite política e econômica se reunia nos diversos cafés e bares. Em
Natal do Meu Tempo, Guimarães (1999, p.135) lembra alguns destes lugares.
A Cova da Onça, o Anaximandro, o Aero Bar, a Rotisserie e o
Café de Oscar Rubens, atraíam a freguesia seleta durante todo o dia, e à noite,
até as dez horas. Desta hora em diante, porém, continuavam abertos, contando
com a freqüência dos que gostavam de festejar a noite, [...] achando mais gosto
na ‘prosa’ do que na bebida.
A Avenida Tavares de Lyra, ainda guarda um importante acervo
arquitetônico/histórico, encontra-se diversas edificações apresentando em suas
fachadas marcas de tempos passados.
Um destes exemplares é o antigo Grande Hotel, segundo Jeanne
Nesi (1994) uma edificação de muita importância para a cidade, tanto pelos seus
traços arquitetônicos, como pela sua evidência social.
Também existe, na esquina da Avenida Tavares de Lyra com
Avenida a Duque de Caxias, a antiga sede do Banco do Estado do Rio Grande do
Norte - BANDERN. Construção dos anos 1930, este edifício apresenta
características arquitetônicas que o distingue do cenário urbano da capital.
A Avenida Tavares de Lyra é bem representativa da Belle
Époque em Natal. O obelisco supracitado, erguido todo em granito, registra em
cada lado, datas significativas para a história. Está inserida na Zona Especial
de Interesse Histórico.
Antiga Rua Coronel Estevam (atual Avenida Coronel Estevam)
Localizada no Alecrim a Rua Coronel Estevam (atual Avenida),
era o antigo caminho que ligava a capital potiguar ao sertão. Seu topônimo é
uma homenagem ao Coronel Estevam José Barbosa de Moura (1810-1891), homem de
grandes propriedades, que mandou abrir um caminho para a antiga Coité, atual
Macaíba
A ocupação do bairro Alecrim seguiu as transformações
causadas pela expansão da cidade e por ser passagem para o interior do estado.
Cascudo (1999, p. 357) informa que o:
Alecrim, com o acesso para o sertão por Macaíba, ficou sendo
o bairro sertanejo, tendo sítios que pareciam fazendas, vacarias, feiras,
simplicidade de vida, roupa e atividades. Surgiram pequenos hotéis para os
comboios que carregavam caminhões, o algodão, fixavam seus motoristas e patrões
acanhados nos alojamentos do Alecrim.
A partir do caminho aberto, pelo velho Coronel Estevam, em
fins de 1859 e princípio de 1861, o Alecrim inicia sua vocação de bairro
comercial e popular. A Rua Coronel Estevam faz parte da evolução urbana da
cidade do Natal. Rua de nossa memória.
FONTE – PREFEITURA DE NATAL

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